26 julho, 2006

As Manifs

Passei pela manif «anti-guerra» desta tarde em Lisboa, mas não vi nada de novo. Um libanês que não soubesse puto de Português e visse esta concentração, muito dificilmente perceberia que os manifestantes estão em solidariedade com o seu povo. O primeiro pensamento que lhe viria à cabeça seria provavelmente a memória de uma república soviética antes da queda do Muro:
Quando cheguei a casa liguei a net e vi outra manif contra a violência no Médio Oriente, feita no mesmo dia, mas num país onde os activistas pela paz não lutam contra totalitarismos usando outros totalitarismos, nem as suas principais preocupações são propagandear movimentos/corporações/partidos políticos:
A manif «Portuguesa» de hoje fez-me lembrar a de há três anos atrás, que o Frederico Duarte Carvalho usou como mote para o filme do fim da democracia.

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25 julho, 2006

Concentração pela Paz no Médio Oriente

É no centro de Lisboa, e tem o apoio da InfoNature.org

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18 julho, 2006

Rumo ao Irão

Agora que Israel atacou e invadiu o Líbano (a foto é de Beirute), e enquanto se prepara para fazer o mesmo à Síria, as peças do puzzle no Médio Oriente começam a juntar-se. Escreve a Professora universitária Tanya Reinhart no media alternativo Information Clearing House:
«Qualquer que seja o destino do soldado cativo Gilad Shalit, a guerra do exército israelita em Gaza não é por causa dele. Tal como o antigo analista de assuntos de segurança Alex Fishman amplamente relatou, o exército estava a preparar-se para um ataque vários meses antes e a insistir constantemente nele, com o objectivo de destruir as infra-estruturas e o governo do Hamas. O exército iniciou a escalada a 8 de Junho quando assassinou Abu Samhadana, um dos homens-fortes desse governo, e intensificou os ataques a civis na Faixa de Gaza. A autorização governamental para uma acção em maior escala já tinha sido dada, mas foi adiada no seguimento da repercussão global causada pelo bombardeamento [de uma praia na faixa de Gaza, onde morreram civis e crianças] feito pela força aérea no dia seguinte. O rapto do soldado destravou o gatilho, e a operação começou a 28 de Junho com a destruição de infra-estruturas em Gaza e a detenção em massa da liderança do Hamas na Cisjordânia, que também foi planeada com semanas de antecedência.»
O facto de que a detenção de membros do governo palestiniano já estava arquitectada várias semanas antes do rapto do primeiro soldado israelita é confirmado por muitas fontes, incluindo o jornal israelita Haaretz:
«A detenção de deputados do Hamas nas primeiras horas da manhã de quinta-feira [29 de Junho] foi planeada há várias semanas atrás e foi aprovada por Mazuz [o Procurador-Geral do estado israelita] na quarta-feira [dia 28]. No mesmo dia, o director da Shin Bet [os serviços secretos internos israelitas] apresentou ao primeiro-ministro [israelita] Ehud Olmert a lista de representantes do Hamas a capturar.»
Ainda ontem Olmert voltou a insistir na existência de um «eixo do mal» composto pelo Irão e pela Síria. A Síria é constantemente ameaçada pelos líderes israelitas, que a acusam de «apoiar e alimentar actividades assassinas de organizações terroristas, tanto dentro das suas fronteiras como fora delas».
O presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, já avisou várias vezes que: se o regime sionista atacar a Síria, isso será considerado como uma agressão a todo o mundo islâmico.

O jornal canadiano Toronto Star comentou o óbvio: o rapto de soldados israelitas e o actual ataque completamente desproporcionado contra o Líbano - a que possivelmente se seguirá a Síria - são o pretexto ideal para confrontar o Irão. Israel anseia realizar
o seu sonho de o atacar.

Por isso, quem estiver a pensar ir passar férias naquela parte do planeta, talvez seja boa ideia levar um protector solar de factor 2 000 000.
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