12 outubro, 2007

O Presidente do Irão e os Judeus Ortodoxos

Estas são as imagens da visita do Presidente Iraniano Mahmoud Ahmadinejad a Nova Iorque, no mês passado, que as nossas televisões nunca ousariam transmitir. Antes de passar pela Universidade de Columbia e pela sede das Nações Unidas, Ahmadinejad recebeu vários judeus ortodoxos, líderes do movimento Jews United Against Zionism (Judeus Contra o Sionismo). Estes rabinos afirmam que Ahmadinejad é um amigo da comunidade judaica internacional e que, tal como eles, pretende a paz no Médio Oriente, separando o Judaísmo das acções violentas do Sionismo.

O rabino Yisroel Dovid Weiss, porta-voz do movimento, disse que as afirmações internacionais de que Ahmadinejad pretende uma escalada para a guerra são falsas, e que o verdadeiro responsável pelo caos no Médio Oriente é Israel. Este é o nosso terceiro encontro, para além de muitas outras visitas ao Irão, declarou. Apesar de nós como judeus não nos devermos envolver na política, temos constatado que o povo iraniano é amigável e respeitoso, e que o seu Presidente é um homem profundamente religioso que deseja um mundo em paz, baseado no respeito mútuo, justiça e diálogo. Esse estado [Israel] oprime continuamente outros povos em nome do Judaísmo e de todo o povo judaico. Isso exacerbou o anti-semitismo por todo o mundo. O Presidente Mahmoud Ahmadinejad entende esta diferença entre o Judaísmo tradicional e a distorção sionista. É triste que muito poucos tenham realmente tentado falar com o Presidente iraniano ou tentado saber a verdadeira opinião da comunidade judaica no Irão, que vive em paz e pratica a sua fé por toda aquela nação. Ahmadinejad mostrou repetidas vezes que está mesmo interessado no bem-estar da comunidade judaica no Irão e que tem um profundo respeito pelo mundo judaico e pela sua fé. A táctica sionista de isolar socialmente este homem e o seu povo é imoral e catastrófica.

Uma táctica seguida à risca pela comunicação social, que continuou a demonização do Irão distorcendo as declarações que Ahmadinejad fez durante esta viagem, como repetindo completamente fora do seu contexto algumas frases proferidas na Universidade de Columbia (a forma como o Presidente foi recebido nessa universidade é uma autêntica vergonha para toda a civilização ocidental, tal como sublinhou Rainer Daehnhardt no Projecto GRIFO).

Para saberem mais sobre a diferença entre Judaísmo e Sionismo vejam a entrevista ao rabino Weiss, publicada neste blogue há um ano atrás, e os últimos textos do Homem das Cidades.

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23 agosto, 2006

O Sionismo

«O estado de Israel não está 'apenas' a transgredir as leis judaicas ao atacar os seus vizinhos – esse estado pura e simplesmente não devia existir». O autor desta afirmação não é o líder do Hezbollah, nem o presidente do Irão, nem o líder de um grupo neo-nazi: é o rabino judeu Yisroel Weiss, membro do movimento Jews United Against Zionism (Judeus Contra o Sionismo). Em apenas 4 minutos, Weiss desmonta um dos principais pilares da propaganda que nos é bombardeada sempre que vemos uma notícia sobre o Médio Oriente, numa entrevista dada ao canal de televisão norte-americano FOX News no final do mês passado. A entrevista foi conduzida por Neil Cavuto, a tradução é minha:

«Neil Cavuto: Rabino, essas são declarações muito fortes…

Rabino Weiss: Essa é a noção que foi transmitida durante os últimos 100 anos, quando o movimento sionista foi criado. O Sionismo transforma o Judaísmo como espiritualidade, uma religião, em materialismo, com um objectivo nacionalista de obter um pedaço de terra. Todas as autoridades rabínicas afirmaram que isso é a antítese do Judaísmo – expressamente proibido pela Torá porque nós vivemos em exílio por Deus.

Cavuto: Então, os judeus não deviam ter um estado? Não deviam ter um país? Não deviam ter um governo?

Weiss: Nós não devíamos ter um estado. Devíamos viver em todas as nações como cidadãos cumpridores, à semelhança do que fizemos durante dois mil anos, servindo Deus, emulando Deus com compaixão… Ao contrário do que as pessoas acreditam, de que isto é um conflito religioso, nós temos vivido durante centenas de anos no meio de comunidades muçulmanas e árabes sem quaisquer equipas da ONU a inspeccionar violações dos direitos humanos…

Cavuto: Rabino, deixe-me perguntar-lhe isto: a vida para os judeus era melhor antes da criação do estado judeu de Israel?

Weiss: 100% verdade. Nós temos o testemunho da comunidade judia, vivendo em harmonia na Palestina e em outras terras que, juntamente com o grão-rabino de Jerusalém, declararam às Nações Unidas que não desejavam um estado judeu, nós temos esses documentos. Os habitantes muçulmanos, cristãos e judeus foram ignorados na criação do estado de Israel…

Cavuto: Vocês podem não ter tido um país, mas têm sido molestados ou massacrados com o passar dos milénios, particularmente há cinquenta e sessenta anos atrás.

Weiss: Uma coisa é ser-se morto devido ao anti-semitismo, outra é hostilizar e criar o anti-semitismo através do Sionismo… ou, por outras palavras, bater na porta dos vizinhos e gritar anti-semitismo.

Cavuto: Eu sei que você é um judeu ortodoxo, mas o que é que os judeus tradicionais pensam dessa posição?

Weiss: A opinião generalizada dos judeus é que, na verdade, nós não deveríamos ter um estado. Mas, uma vez ele criado, muitos judeus acreditaram na propaganda sionista de que de que existe um ódio enraizado contra eles, e de que os árabes nos querem atirar todos ao oceano. É por isso que os judeus têm tanto receio em devolver a terra…

Cavuto: É algo compreensível, não é? Vocês têm o presidente do Irão a dizer que o Holocausto nunca aconteceu, e que se ele pudesse destruiria Israel e todos os judeus.

Weiss: Isso é redondamente falso. Ele tem uma comunidade judia no Irão e nunca os matou quando teve a oportunidade para tal…

Cavuto: Então, não acredita na sua afirmação de que ele irá tentar matar judeus?

Weiss: Ele pretenderia o desmantelamento do estado político de Israel. Na verdade, nós e um grande grupo de rabinos visitámos o Irão no ano passado, onde fomos recebidos pelos líderes religiosos e pelo vice-presidente – na altura Ahmedinejad [o presidente do Irão] estava na Venezuela –, e todos eles afirmaram inequivocamente que não têm nenhum conflito com os judeus.

Cavuto: Então acha que enquanto Israel existir, nunca haverá paz?

Weiss: Os judeus estão a sofrer, os palestinianos e os libaneses estão a sofrer… nós rezamos pelo desmantelamento rápido e pacífico do estado de Israel.

Cavuto: Rabino, é interessante que não costumamos ouvir esse ponto de vista...»

É verdade que esse ponto de vista não é dado a conhecer. Em Portugal, por exemplo, os jornalistas não se atrevem a tocar no movimento sionista. No entanto, é muito frequente verem-se comentadores políticos a afirmar que todos os que criticam Israel e o Sionismo são anti-semitas e neo-nazis (aos olhos deles, o rabino Yisroel Weiss seria um perigoso cabeça rapada). Outros "opinadores" defendem com unhas e dentes que o Sionismo não tem nenhuma influência na Guerra contra o Terrorismo norte-americana (que esmagou o Afeganistão e o Iraque), no presente ataque ao Líbano e no futuro ataque ao Irão – isso é o mesmo que afirmar que o nacional-socialismo não teve nenhuma influência na Segunda Guerra Mundial.

Para saber mais:
Zionism
Zionism DataPage
Orthodox Jews United Against Zionism
True Torah Jews Against Zionism
Página da Wikipédia sobre o Sionismo, em português

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26 julho, 2006

As Manifs

Passei pela manif «anti-guerra» desta tarde em Lisboa, mas não vi nada de novo. Um libanês que não soubesse puto de Português e visse esta concentração, muito dificilmente perceberia que os manifestantes estão em solidariedade com o seu povo. O primeiro pensamento que lhe viria à cabeça seria provavelmente a memória de uma república soviética antes da queda do Muro:
Quando cheguei a casa liguei a net e vi outra manif contra a violência no Médio Oriente, feita no mesmo dia, mas num país onde os activistas pela paz não lutam contra totalitarismos usando outros totalitarismos, nem as suas principais preocupações são propagandear movimentos/corporações/partidos políticos:
A manif «Portuguesa» de hoje fez-me lembrar a de há três anos atrás, que o Frederico Duarte Carvalho usou como mote para o filme do fim da democracia.

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25 julho, 2006

Concentração pela Paz no Médio Oriente

É no centro de Lisboa, e tem o apoio da InfoNature.org

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18 julho, 2006

Rumo ao Irão

Agora que Israel atacou e invadiu o Líbano (a foto é de Beirute), e enquanto se prepara para fazer o mesmo à Síria, as peças do puzzle no Médio Oriente começam a juntar-se. Escreve a Professora universitária Tanya Reinhart no media alternativo Information Clearing House:
«Qualquer que seja o destino do soldado cativo Gilad Shalit, a guerra do exército israelita em Gaza não é por causa dele. Tal como o antigo analista de assuntos de segurança Alex Fishman amplamente relatou, o exército estava a preparar-se para um ataque vários meses antes e a insistir constantemente nele, com o objectivo de destruir as infra-estruturas e o governo do Hamas. O exército iniciou a escalada a 8 de Junho quando assassinou Abu Samhadana, um dos homens-fortes desse governo, e intensificou os ataques a civis na Faixa de Gaza. A autorização governamental para uma acção em maior escala já tinha sido dada, mas foi adiada no seguimento da repercussão global causada pelo bombardeamento [de uma praia na faixa de Gaza, onde morreram civis e crianças] feito pela força aérea no dia seguinte. O rapto do soldado destravou o gatilho, e a operação começou a 28 de Junho com a destruição de infra-estruturas em Gaza e a detenção em massa da liderança do Hamas na Cisjordânia, que também foi planeada com semanas de antecedência.»
O facto de que a detenção de membros do governo palestiniano já estava arquitectada várias semanas antes do rapto do primeiro soldado israelita é confirmado por muitas fontes, incluindo o jornal israelita Haaretz:
«A detenção de deputados do Hamas nas primeiras horas da manhã de quinta-feira [29 de Junho] foi planeada há várias semanas atrás e foi aprovada por Mazuz [o Procurador-Geral do estado israelita] na quarta-feira [dia 28]. No mesmo dia, o director da Shin Bet [os serviços secretos internos israelitas] apresentou ao primeiro-ministro [israelita] Ehud Olmert a lista de representantes do Hamas a capturar.»
Ainda ontem Olmert voltou a insistir na existência de um «eixo do mal» composto pelo Irão e pela Síria. A Síria é constantemente ameaçada pelos líderes israelitas, que a acusam de «apoiar e alimentar actividades assassinas de organizações terroristas, tanto dentro das suas fronteiras como fora delas».
O presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, já avisou várias vezes que: se o regime sionista atacar a Síria, isso será considerado como uma agressão a todo o mundo islâmico.

O jornal canadiano Toronto Star comentou o óbvio: o rapto de soldados israelitas e o actual ataque completamente desproporcionado contra o Líbano - a que possivelmente se seguirá a Síria - são o pretexto ideal para confrontar o Irão. Israel anseia realizar
o seu sonho de o atacar.

Por isso, quem estiver a pensar ir passar férias naquela parte do planeta, talvez seja boa ideia levar um protector solar de factor 2 000 000.
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