04 fevereiro, 2008

Cortes de cabos submarinos: Sabotagem ao Irão?

Desde o dia 29 de Janeiro que vários cabos submarinos de telecomunicações têm sido cortados em locais desde a costa de França ao Golfo Pérsico, alguns no espaço de poucas horas, afectando principalmente as comunicações para regiões da Ásia e do Médio Oriente:
«Um quarto corte de um cabo submarino de telecomunicações, ligando desta vez Qatar aos Emirados Árabes Unidos, foi assinalado domingo, quando as perturbações das telecomunicações em toda a região prometem durar vários dias.

Três outros cortes do mesmo género verificaram-se desde quarta-feira em cabos submarinos de telecomunicações no Leste do mar Mediterrâneo e no Golfo, provocando perturbações importantes nos serviços Internet e nas ligações telefónicas internacionais, nos países do Golfo, no Egipto e também na Índia.»
A comunicação social sugeriu que os cortes terão sido provocados por âncoras de navios (!), mas o governo egípcio já desmentiu essa hipótese.

Curiosamente, o país mais afectado por estes cortes de comunicações é o Irão:Por coincidência (ou não), este é precisamente o período previsto para a abertura da polémica Bolsa de Petróleo do Irão, na qual se irá comercializar petróleo em várias moedas que não o dólar (maioritariamente em euros), e que fará os EUA perderem biliões de dólares. É de leitura obrigatória este artigo traduzido para português pelo Resistir.info:
A Bolsa de Petróleo do Irão ameaça o dólar

Muitos se lembrarão que o corte de cabos submarinos foram, em vários momentos da História, o prelúdio para guerras:
England's first offensive action in World War I
Operation Ivy Bells, Sea of Okhotsk, Russia, 1970s-1981

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12 outubro, 2007

O Presidente do Irão e os Judeus Ortodoxos

Estas são as imagens da visita do Presidente Iraniano Mahmoud Ahmadinejad a Nova Iorque, no mês passado, que as nossas televisões nunca ousariam transmitir. Antes de passar pela Universidade de Columbia e pela sede das Nações Unidas, Ahmadinejad recebeu vários judeus ortodoxos, líderes do movimento Jews United Against Zionism (Judeus Contra o Sionismo). Estes rabinos afirmam que Ahmadinejad é um amigo da comunidade judaica internacional e que, tal como eles, pretende a paz no Médio Oriente, separando o Judaísmo das acções violentas do Sionismo.

O rabino Yisroel Dovid Weiss, porta-voz do movimento, disse que as afirmações internacionais de que Ahmadinejad pretende uma escalada para a guerra são falsas, e que o verdadeiro responsável pelo caos no Médio Oriente é Israel. Este é o nosso terceiro encontro, para além de muitas outras visitas ao Irão, declarou. Apesar de nós como judeus não nos devermos envolver na política, temos constatado que o povo iraniano é amigável e respeitoso, e que o seu Presidente é um homem profundamente religioso que deseja um mundo em paz, baseado no respeito mútuo, justiça e diálogo. Esse estado [Israel] oprime continuamente outros povos em nome do Judaísmo e de todo o povo judaico. Isso exacerbou o anti-semitismo por todo o mundo. O Presidente Mahmoud Ahmadinejad entende esta diferença entre o Judaísmo tradicional e a distorção sionista. É triste que muito poucos tenham realmente tentado falar com o Presidente iraniano ou tentado saber a verdadeira opinião da comunidade judaica no Irão, que vive em paz e pratica a sua fé por toda aquela nação. Ahmadinejad mostrou repetidas vezes que está mesmo interessado no bem-estar da comunidade judaica no Irão e que tem um profundo respeito pelo mundo judaico e pela sua fé. A táctica sionista de isolar socialmente este homem e o seu povo é imoral e catastrófica.

Uma táctica seguida à risca pela comunicação social, que continuou a demonização do Irão distorcendo as declarações que Ahmadinejad fez durante esta viagem, como repetindo completamente fora do seu contexto algumas frases proferidas na Universidade de Columbia (a forma como o Presidente foi recebido nessa universidade é uma autêntica vergonha para toda a civilização ocidental, tal como sublinhou Rainer Daehnhardt no Projecto GRIFO).

Para saberem mais sobre a diferença entre Judaísmo e Sionismo vejam a entrevista ao rabino Weiss, publicada neste blogue há um ano atrás, e os últimos textos do Homem das Cidades.

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23 agosto, 2006

O Sionismo

«O estado de Israel não está 'apenas' a transgredir as leis judaicas ao atacar os seus vizinhos – esse estado pura e simplesmente não devia existir». O autor desta afirmação não é o líder do Hezbollah, nem o presidente do Irão, nem o líder de um grupo neo-nazi: é o rabino judeu Yisroel Weiss, membro do movimento Jews United Against Zionism (Judeus Contra o Sionismo). Em apenas 4 minutos, Weiss desmonta um dos principais pilares da propaganda que nos é bombardeada sempre que vemos uma notícia sobre o Médio Oriente, numa entrevista dada ao canal de televisão norte-americano FOX News no final do mês passado. A entrevista foi conduzida por Neil Cavuto, a tradução é minha:

«Neil Cavuto: Rabino, essas são declarações muito fortes…

Rabino Weiss: Essa é a noção que foi transmitida durante os últimos 100 anos, quando o movimento sionista foi criado. O Sionismo transforma o Judaísmo como espiritualidade, uma religião, em materialismo, com um objectivo nacionalista de obter um pedaço de terra. Todas as autoridades rabínicas afirmaram que isso é a antítese do Judaísmo – expressamente proibido pela Torá porque nós vivemos em exílio por Deus.

Cavuto: Então, os judeus não deviam ter um estado? Não deviam ter um país? Não deviam ter um governo?

Weiss: Nós não devíamos ter um estado. Devíamos viver em todas as nações como cidadãos cumpridores, à semelhança do que fizemos durante dois mil anos, servindo Deus, emulando Deus com compaixão… Ao contrário do que as pessoas acreditam, de que isto é um conflito religioso, nós temos vivido durante centenas de anos no meio de comunidades muçulmanas e árabes sem quaisquer equipas da ONU a inspeccionar violações dos direitos humanos…

Cavuto: Rabino, deixe-me perguntar-lhe isto: a vida para os judeus era melhor antes da criação do estado judeu de Israel?

Weiss: 100% verdade. Nós temos o testemunho da comunidade judia, vivendo em harmonia na Palestina e em outras terras que, juntamente com o grão-rabino de Jerusalém, declararam às Nações Unidas que não desejavam um estado judeu, nós temos esses documentos. Os habitantes muçulmanos, cristãos e judeus foram ignorados na criação do estado de Israel…

Cavuto: Vocês podem não ter tido um país, mas têm sido molestados ou massacrados com o passar dos milénios, particularmente há cinquenta e sessenta anos atrás.

Weiss: Uma coisa é ser-se morto devido ao anti-semitismo, outra é hostilizar e criar o anti-semitismo através do Sionismo… ou, por outras palavras, bater na porta dos vizinhos e gritar anti-semitismo.

Cavuto: Eu sei que você é um judeu ortodoxo, mas o que é que os judeus tradicionais pensam dessa posição?

Weiss: A opinião generalizada dos judeus é que, na verdade, nós não deveríamos ter um estado. Mas, uma vez ele criado, muitos judeus acreditaram na propaganda sionista de que de que existe um ódio enraizado contra eles, e de que os árabes nos querem atirar todos ao oceano. É por isso que os judeus têm tanto receio em devolver a terra…

Cavuto: É algo compreensível, não é? Vocês têm o presidente do Irão a dizer que o Holocausto nunca aconteceu, e que se ele pudesse destruiria Israel e todos os judeus.

Weiss: Isso é redondamente falso. Ele tem uma comunidade judia no Irão e nunca os matou quando teve a oportunidade para tal…

Cavuto: Então, não acredita na sua afirmação de que ele irá tentar matar judeus?

Weiss: Ele pretenderia o desmantelamento do estado político de Israel. Na verdade, nós e um grande grupo de rabinos visitámos o Irão no ano passado, onde fomos recebidos pelos líderes religiosos e pelo vice-presidente – na altura Ahmedinejad [o presidente do Irão] estava na Venezuela –, e todos eles afirmaram inequivocamente que não têm nenhum conflito com os judeus.

Cavuto: Então acha que enquanto Israel existir, nunca haverá paz?

Weiss: Os judeus estão a sofrer, os palestinianos e os libaneses estão a sofrer… nós rezamos pelo desmantelamento rápido e pacífico do estado de Israel.

Cavuto: Rabino, é interessante que não costumamos ouvir esse ponto de vista...»

É verdade que esse ponto de vista não é dado a conhecer. Em Portugal, por exemplo, os jornalistas não se atrevem a tocar no movimento sionista. No entanto, é muito frequente verem-se comentadores políticos a afirmar que todos os que criticam Israel e o Sionismo são anti-semitas e neo-nazis (aos olhos deles, o rabino Yisroel Weiss seria um perigoso cabeça rapada). Outros "opinadores" defendem com unhas e dentes que o Sionismo não tem nenhuma influência na Guerra contra o Terrorismo norte-americana (que esmagou o Afeganistão e o Iraque), no presente ataque ao Líbano e no futuro ataque ao Irão – isso é o mesmo que afirmar que o nacional-socialismo não teve nenhuma influência na Segunda Guerra Mundial.

Para saber mais:
Zionism
Zionism DataPage
Orthodox Jews United Against Zionism
True Torah Jews Against Zionism
Página da Wikipédia sobre o Sionismo, em português

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18 julho, 2006

Rumo ao Irão

Agora que Israel atacou e invadiu o Líbano (a foto é de Beirute), e enquanto se prepara para fazer o mesmo à Síria, as peças do puzzle no Médio Oriente começam a juntar-se. Escreve a Professora universitária Tanya Reinhart no media alternativo Information Clearing House:
«Qualquer que seja o destino do soldado cativo Gilad Shalit, a guerra do exército israelita em Gaza não é por causa dele. Tal como o antigo analista de assuntos de segurança Alex Fishman amplamente relatou, o exército estava a preparar-se para um ataque vários meses antes e a insistir constantemente nele, com o objectivo de destruir as infra-estruturas e o governo do Hamas. O exército iniciou a escalada a 8 de Junho quando assassinou Abu Samhadana, um dos homens-fortes desse governo, e intensificou os ataques a civis na Faixa de Gaza. A autorização governamental para uma acção em maior escala já tinha sido dada, mas foi adiada no seguimento da repercussão global causada pelo bombardeamento [de uma praia na faixa de Gaza, onde morreram civis e crianças] feito pela força aérea no dia seguinte. O rapto do soldado destravou o gatilho, e a operação começou a 28 de Junho com a destruição de infra-estruturas em Gaza e a detenção em massa da liderança do Hamas na Cisjordânia, que também foi planeada com semanas de antecedência.»
O facto de que a detenção de membros do governo palestiniano já estava arquitectada várias semanas antes do rapto do primeiro soldado israelita é confirmado por muitas fontes, incluindo o jornal israelita Haaretz:
«A detenção de deputados do Hamas nas primeiras horas da manhã de quinta-feira [29 de Junho] foi planeada há várias semanas atrás e foi aprovada por Mazuz [o Procurador-Geral do estado israelita] na quarta-feira [dia 28]. No mesmo dia, o director da Shin Bet [os serviços secretos internos israelitas] apresentou ao primeiro-ministro [israelita] Ehud Olmert a lista de representantes do Hamas a capturar.»
Ainda ontem Olmert voltou a insistir na existência de um «eixo do mal» composto pelo Irão e pela Síria. A Síria é constantemente ameaçada pelos líderes israelitas, que a acusam de «apoiar e alimentar actividades assassinas de organizações terroristas, tanto dentro das suas fronteiras como fora delas».
O presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, já avisou várias vezes que: se o regime sionista atacar a Síria, isso será considerado como uma agressão a todo o mundo islâmico.

O jornal canadiano Toronto Star comentou o óbvio: o rapto de soldados israelitas e o actual ataque completamente desproporcionado contra o Líbano - a que possivelmente se seguirá a Síria - são o pretexto ideal para confrontar o Irão. Israel anseia realizar
o seu sonho de o atacar.

Por isso, quem estiver a pensar ir passar férias naquela parte do planeta, talvez seja boa ideia levar um protector solar de factor 2 000 000.
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